
em 26/08/2010, às 01h36min.
Por Marcelo Reis
A Universidade é um privilégio para poucos no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (INEP), apenas 1% da população tem acesso ao ensino superior. Ainda assim, a formação universitária não é garantia de sucesso profissional. Depois de vários anos em sala de aula, o estudante se depara com o mercado, onde a competitividade e o nível de exigência podem assustar o recém formado. O Iemais conversou com a estudante Deise Jeske, 23 anos, que cursa o oitavo semestre de Jornalismo na Unipampa. Ela conclui a graduação no final deste ano, e conta o que espera da profissão a partir de agora:
IEMAIS: Por que Jornalismo, um curso difícil e com baixa média salarial?
Deise Jeske: No colégio, no ensino médio, uma professora criou um projeto que era um jornal escolar. Participei do projeto e gostei da experiência, e com certeza foi o que mais me influenciou. Outro motivo é o gosto pela leitura e escrita, que são imprescindíveis para o exercício da profissão.
IE: Às vezes a faculdade que fazemos não é por escolha, e sim por oportunidade. Você escolheu o Jornalismo por vocação?
Deise: No início, surgem dúvidas, claro. Principalmente porque aquela decisão que se está tomando vai dar rumo á nossa vida, é uma decisão importante. Sem dúvida, jornalismo (por mais que seja hoje uma profissão que não é valorizada pela sociedade brasileira) foi o intercessor na minha vida.
IE: Qual outra profissão tu gostarias de seguir. Se pudesse escolher qualquer faculdade do mundo, até sei lá, bacharelado em criação de galinhas... O que escolheria, e por quê?
Deise: Sempre fui boa em Biologia na escola, a gente sempre tem por referência aquilo que absorvemos na nossa juventude, e ela se passa dentro da escola. Se não fosse Jornalismo, gostaria de fazer biomedicina. Sei que não é nem um pouco parecida com Jornalismo, mas é a segunda coisa que melhor faço: entender o funcionamento do corpo humano, etc.
IE: Especialistas e pesquisadores em comunicação afirmam que há um distanciamento entre academia e mercado, o que ocasiona uma maior dificuldade para recém formados se adaptarem às empresas e manterem seus empregos. O que pensa disso?
Toti Brites
Deise: O estudante de comunicação sai para o mercado praticamente “cru”. Cheios de teorias, ideias. Algumas universidades dão uma dimensão romantizada da profissão, sem perceber que a nossa realidade – brasileira, não valoriza essa profissão. O mercado hoje preza pela eficiência e pelo empregado que entenda o funcionamento do corpo editorial do grupo. E então, pra quê servem as teorias, e ainda: onde fica a ética nesse espaço tão competitivo? Penso também que existem muitas universidades de Jornalismo, isso põe em debate a qualidade desses profissionais. Assim como a OAB tem uma preocupação na formação de advogados, e por isso estão fechando muitas faculdades de direito que não tem estrutura pra funcionar, o nosso curso também deveria ter critérios mais específicos para dar reconhecimento a uma faculdade de comunicação.
IE: O que pretende fazer? Qual a área, ou áreas do jornalismo que tu mais gosta, ou que tu fazes melhor e pretende seguir, se for possível?
Deise: Não quero ser pessimista na área que escolhi seguir. Pretendo estudar mais, talvez um mestrado e me especializar no campo da tecnologia da informação.
IE: Responde com sinceridade. Na hora de arranjar um emprego, (no Jornalismo, claro) tu irias preferir trabalhar numa área que tu te identificas ou numa outra, que tu não gostes tanto, mas que pague melhor?
Deise: Sempre existe um plano B. Se a minha especialização não pintar tão fácil, pretendo fazer concurso para Assessoria de Comunicação em algum órgão público, assim é garantia de independência e trabalhar na área que gosto. Unir o útil ao agradável.
IE: Pretende ficar na sua cidade ou tentar oportunidade profissional em outros centros?
Deise: Aonde tiver a melhor oportunidade para mim. Se for em São Borja, ok. Se não for... fazer o que? Vivemos numa sociedade capitalista, cada um tem que ganhar seu pão, não importa onde seja a padaria.
IE: Responda com sinceridade, de novo. Agora no fim do ano tem a formatura, e aí, depois, incerteza. Você tem medo do futuro? Já parou pra pensar? E agora, o que faço da vida?
Deise: Dá sim, uma espécie de crise. Meu Deus! E se eu for uma desgraça? Bate um desespero. Muitos colegas acham o período de entrega do TCC uma espécie de purgatório. Mas eu sou ainda mais dramática: O que fazer com o TCC depois de formada? Medo do futuro com certeza. A gente nunca sabe como vai ser o próximo passo, por mais que tenhamos um planejamento, acidentes de percurso acontecem, existem variáveis e a gente tem que saber lidar com tudo isso.